quarta-feira, 21 de setembro de 2011

2. de amores idiotas



Amedeo Modigliani - Standing Nude (1911/12)

a gaja era um nada. um tudo de nada.
era de uma alma tão pura, inocente e pequena que mal se poderia ver se se quisesse, se não se quisesse era invísivel.

um dia a gaja, num maravilhoso, no entanto idiota, acto de plena humanidade decidiu apaixonar-se por um outro parvalhão. o gajo tinha a mania que era bad boy, que era um james bond infalível na cama, na mesa da cozinha ou no chão, que era um perfeito garanhão do caralho; a vida do idiota aparentava ser a do idolatrado macho latino. as gajas pareciam ser muitas, o dinheiro chovia-lhe do céu para o colo, tinha alma de poeta, de cantor rock e dizia "live fast, die young" mais vezes por dia que um cão cheira o seu próprio cu.

sim, meu caro leitor, a vida era boa. tão boa que a parva da miúda chorava por todo o lado, quando ele não vinha, quando ele não estava, quando ele a tratava mal, não lhe retornava chamadas, não vinha a cheirar somente a perfume masculino, não vinha sóbrio de um qualquer bar de putas, ou quando simplesmente, que era sempre, não a amava. meus senhores, era uma vida de nãos. por mais que ele não lhe fosse fiel, por mais que ele não andasse sóbrio, por mais que ele não estivesse lá, a vida era boa. mas a ingrata chorava.

ela nem reparava, no meio dos seus olhos lacrimejantes, toldados pelo oceano de tristeza, que por perto estava um rapaz que se preocuparia se ela deixasse, que estaria lá se ela deixasse, que lhe seria fiel, que a acariciaria no meio das choradeiras, que a suportaria quando o mau tempo chegasse... se ela quisesse a vida seria uma enchente. não de lágrimas, mas de sins. e uma vida que outrora fora uma vida não seria uma vida sim... se ao menos ela quisesse.

caro leitor, pare de ser idiota. quem diz que o amor não se escolhe é claramente um burro de merda. o seu objectivo não deveria ser amar, devia ser ser amado. porque é bom e a malta gosta. e quem é feliz ama melhor, e logo é amado melhor. basta que se ame a si mesmo, e de vez em quando se olhe para o lado, que ninguém deve amar deuses, que os cabrões não querem saber de nós.

caro amigo, queira fazer-se o obséquio de querer amar,
obrigado,
J.

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